
__Ora, forasteiro, está ansioso para saber se Bartolomeu acabou por ficar vivo naquela manhã? É alguém bem curioso, vejo eu. Espero que não se incomode, mas irei ser breve nesta parte da vida de nosso herói. Como eu disse quando nos conhecemos, já se ouviram muitas histórias sobre grandes cavaleiros, mas esta tem um final diferente, e é este final que mais nos importa. Continuemos então.
__Naquela manhã o médico da cidadela de Haien cuidou dos ferimentos do cavaleiro Bartolomeu, e por fim o deixou aos cuidados do jovem Antonie. Ficou quase dois dias em coma, e quando despertou receava que o garoto houvesse lhe roubado. Antonie por sua vez admirava o cavaleiro mesmo em seu estado de aparente morte. Durante esses dois dias, cuidou do cavaleiro, assim como também cuidou de sua casa. Na primeira noite em que esteve sozinho, sentou-se à beira do penhasco, refletindo sobre o que faria dali para frente.
__Estava achando um pouco estranho. Não havia chorado inteiramente a morte do irmão mais novo, mas não sentia uma vontade em particular de fazer isso. A morte da mãe, bom, isso pouco o interessava, nunca havia sentido muito afeto pela mulher de toda forma. O tempo foi passando e poucas pessoas da cidadela davam importância suficiente aos fatos para irem até a velha casa oferecer alimento e cuidados, todos que Antonie dispensava. Sempre fora quieto e absorto em sua própria existência, mas agora não encontrava mais um modo de sentir. Antes admirava o céu azul, agora o achava apenas uma grande manta de uma cor. Antes sorria com os pássaros que brincavam no solo, ciscando sementes, agora os olhava com total indiferença. Tudo o que sentia era um incomodo estado de vazio, como se algo tivesse sido removido de seu corpo, e ele não sabia exatamente o que.
__Mesmo quando Bartolomeu despertou na tarde daquele dia, Antonie não se mostrou muito sentimental, embora, em seu interior, algo parecia se agitar. As apresentações foram formalmente feitas, e se Bartolomeu se espantou com o relato da vida de Antonie até ali, nada demonstrou. Bartolomeu sentou-se à pequena mesa de madeira velha; O garoto havia lhe servido um prato de comida e uma caneca com água. Estava faminto, não podia negar. Comeu em silêncio, ciente do olhar avaliativo de Antonie sobre si. O prato estava limpo, e a caneca em sua mão era completada com água pela, talvez, quinta vez. Certo, ele já havia passado por isso antes, e sabia que agora era a hora em que vinham as perguntas. Ah, como estava certo.
__Antonie ofereceu uma garrafa de bebida que antes sua mãe escondia, achou que o cavaleiro se sentisse melhor com algo desse tipo. Era verdade, Bartolomeu agradeceu mentalmente aos céus por um pouco de álcool, mesmo que não fosse dos melhores. O garoto acomodou-se na outra ponta da mesa, e iniciou uma torrente de perguntas que pareciam não ter fim. Bartolomeu riu quando o garoto enfim ficou quieto, mas prontamente lhe respondeu todas as suas perguntas na forma de uma breve narrativa.
__Bartolomeu Hawkins tinha até então 42 anos. Os cabelos eram longos e estavam emaranhados de diversas formas, e sua barba não era muito diferente. Não tinha família há muitos anos, e desde que conseguia se lembrar servia a Heitor Maxmilliam. Seu pai havia sido um cavaleiro, e agora ele era um. Não possuía residência permanente, e suas únicas habilidades eram com a espada e a montaria. Havia chegado a tão más condições àquela pequena vila, pois seus companheiros estavam sob ataque após obter importantes informações para Sir Heitor, e com a bagunça acabaram se separando. Sua armadura estava destruída e largada em um velho saco de pano preso a seu cavalo. Bartolomeu não sabia se seus companheiros haviam sobrevivido, e tinha de voltar para sua vila natal, a vila de Sir Heitor, e lhe passar as informações.
__O cavaleiro falou por pouco tempo, resumindo boa parte dos fatos, mas isso não tirou a admiração de Antonie. Naquela noite, Bartolomeu cuidou de seu cavalo, arrumou novas roupas, um pouco de comida e estava pronto para partir no dia seguinte, tão logo o sol nascesse.
__A manhã veio rápida. Mais rápida do que Antonie gostaria. Bartolomeu, por sua vez, não pode dormir. Passou toda a noite andando pelos minúsculos cômodos da pequena casa. Mexeu em armários vazios e baús de roupas rasgadas. Deplorável. Quando estava pronto para partir, pegou as rédeas de seu cavalo e começou a andar em passo lento. Não agradeceu os cuidados e a hospitalidade de Antonie, e nem ao menos se despediu. Que tipo de cavaleiro parte dessa maneira infame? Antonie usava as piores palavras que conhecia, em sua mente, enquanto olhava as costas do cavaleiro que se afastava. Bartolomeu parou neste instante, e Antonie se perguntou se o cavaleiro seria talvez um bruxo que pudesse ouvir o que os outros pensava, mas logo descartou a possibilidade, pois Bartolomeu se virou para ele, e sorrindo lhe disse:
__- Que faz ainda parado aí como uma pedra, jovem Antonie Uckerman? – E diante do silêncio do garoto, continuou. – Vamos. O caminho é longo e Sir Heitor não gosta que seus cavaleiros se atrasem. Podemos treinar com a espada durante a viagem.
__Antonie não conseguia se mover. Sua expressão era de choque mas sua alma dava pulos de emoção. Bartolomeu o estava convidando para se juntar à ele, para ser um cavaleiro. Estava falando sobre treinamento. Seu sonho de ser cavaleiro estava começando, e naquele momento, olhando pela última vez para seu antigo lar, Antonie Uckerman jurou pela memória do irmão, que seria um grande cavaleiro ao qual todos se espelhariam e teriam incríveis memórias.
__Se Antonie conseguiu? Que pergunta tola, forasteiro. Se não houvesse conseguido, não teria sentido eu ter lhe contado todas essas coisas. Mas preste atenção.
__Antonie tinha 14 anos quando deixou a cidadela de Haien e seguiu caminho com Bartolomeu Hawkins. Foi aceito como cavalariço no povoado de Mendry, sob as ordens de Sir Heitor Maxmilliam, e poucos meses depois, após muito treino tarde da noite, Antonie obteve o posto de cavaleiro. Provou seu valor e força em inúmeras batalhas, ganhando a confiança de Sir Heitor. Aos poucos, seu mentor Bartolomeu se tornou seu melhor amigo. Fizera amizades incríveis em povoados diversos por onde passou em suas missões. Ah, como o jovem Uckerman tinha tido aventuras. Boas memórias. Emocionantes. Começava a sentir gosto pela vida novamente. Tudo voltava a ser fácil para ele, e agora com um bônus: era emocionante. Mas novamente as travessuras do tal destino vieram abalar seu precioso mundo.
__A irmã mais nova de Sir Heitor sumira do castelo sem qualquer vestígio. Suas camareiras disseram que ouviram sua senhora dizer que iria procurar por belas flores para um adorno que queria fazer, mas não voltara. Heitor ordenou as buscas imediatas por toda a região. Antonie conhecia a jovem Clarice, e conhecia os infindáveis campos floridos que ela adorava ir. Subiu em seu cavalo e se moveu rápido para o leste. Voltou poucas horas depois, abatido, e trazendo um longo lenço de seda verde nas mãos. Lenço esse que Heitor tristemente reconheceu. Foi nessa mesma noite que um mensageiro chegou aos portões da vila, e a mensagem foi entregue à Sir Heitor:
__ “Valente Senhor que assumiu tal posto com bravura e honradez, teu povo se orgulha de ti, e tua família é bela. Também tive uma família bela, mas teus soldados tiraram meu pai e levaram meu irmão. Meu pai está no céu, e meu irmão em tuas prisões. Livrai meu irmão, que livro tua Clarice. Tens até a próxima lua cheia. Com sincera atenção, Klaus.”
__Um pequeno problema: Resnard, o irmão do ladrão Klaus, fora executado dois dias antes, e a troca não poderia ser feita.
__- Quando é a próxima lua cheia? – Heitor estava desolado.
__- Em 3 dias, meu senhor.
__- 3 dias ou 3 meses, nada trará aquele ladrão Resnard de volta à vida. Por minha irmã, conduzirei os cavaleiros até Klaus no deserto, e a terei de volta à força.
__E assim foi feito.
__Três noites após a chegada da mensagem, Sir Heitor Maxmilliam chegava com seu cavalo aos portões da base militar dos ladrões do deserto, seguido de todos os seus cavaleiros. Usando um cavaleiro encapuzado, disse ser Resnard, e quando questionado sobre os soldados, disse que proteção nunca é demais. Quando Clarice foi trazida à frente dos ladrões, a troca se iniciou, e assim que o falso prisioneiro cruzou com Clarice, ambos correram de volta à Heitor. A farsa descoberta, os ladrões furiosos e Klaus particularmente magoado. Que se inicie a guerra.
__A jovem Clarice foi afastada da região por dois cavaleiros, mas todos os outros, incluindo Heitor, se engajaram na batalha. Horas depois, os ladrões jaziam sobre a areia fina, e Heitor permanecia em pé com menos da metade de seus cavaleiros. Antonie estava ferido, mas permanecia em pé, olhando em volta, lamentando a perda de seus companheiros, até que algo o faria lamentar muito mais.
__Bartolomeu Hawkins, cavaleiro de Sir Heitor Maxmilliam, foi encontrado entre os mortos. Seu rosto era tranqüilo, mas seu coração havia sido perfurado.
__Antonie novamente sentia a dor da perda de alguém realmente importante entre milhares de seres inúteis. O que restava de seus sentimentos, os que Ronnan não havia levado consigo para o fundo daquele abismo, foram perfurados pela mesma lança que tirara a vida de seu mentor. Antonie tinha 15 anos.
__Dois anos se passaram. As feridas do passado haviam cicatrizado mas por algum misterioso motivo ainda produziam dor. Antonie tinha agora 17 anos, e era o mais jovem cavaleiro de todos os tempos do povoado de Mendry. Fiel e leal à Sir Heitor, recebeu em troca uma profunda confiança de seu senhor. Fez sua fama de cavaleiro frio e assassino quando passou a cumprir todas as missões de Sir Heitor sem esboçar qualquer reação que fosse, e eliminando qualquer um em seu caminho. Era impiedoso e um perfeito lutador de espada, ágil, forte e corajoso, mas entre os velhos amigos e companheiros, era leal, respeitável e se deixava levar pela animação que vinha dos outros. Sem duvida havia se tornado o preferido entre as mulheres de Mendry, desde as escravas até as camareiras do castelo. Não havia ficado tão alto quanto gostaria, mas tinha uma boa musculatura nos seus 1,76 de altura. Os cabelos castanhos eram escuros o suficiente para serem confundidos com preto, curtos e sempre bem ajeitados, e seus olhos castanhos tinham, diziam as damas, o brilho que só se vê nas noites de lua cheia, e um olhar tão hipnotizante quanto a própria lua.
__Antonie Uckerman era um belo e admirável cavaleiro, sendo guiado pelas travessuras lamentáveis do, aparentemente, imortal senhor destino.
__Naquela manhã o médico da cidadela de Haien cuidou dos ferimentos do cavaleiro Bartolomeu, e por fim o deixou aos cuidados do jovem Antonie. Ficou quase dois dias em coma, e quando despertou receava que o garoto houvesse lhe roubado. Antonie por sua vez admirava o cavaleiro mesmo em seu estado de aparente morte. Durante esses dois dias, cuidou do cavaleiro, assim como também cuidou de sua casa. Na primeira noite em que esteve sozinho, sentou-se à beira do penhasco, refletindo sobre o que faria dali para frente.
__Estava achando um pouco estranho. Não havia chorado inteiramente a morte do irmão mais novo, mas não sentia uma vontade em particular de fazer isso. A morte da mãe, bom, isso pouco o interessava, nunca havia sentido muito afeto pela mulher de toda forma. O tempo foi passando e poucas pessoas da cidadela davam importância suficiente aos fatos para irem até a velha casa oferecer alimento e cuidados, todos que Antonie dispensava. Sempre fora quieto e absorto em sua própria existência, mas agora não encontrava mais um modo de sentir. Antes admirava o céu azul, agora o achava apenas uma grande manta de uma cor. Antes sorria com os pássaros que brincavam no solo, ciscando sementes, agora os olhava com total indiferença. Tudo o que sentia era um incomodo estado de vazio, como se algo tivesse sido removido de seu corpo, e ele não sabia exatamente o que.
__Mesmo quando Bartolomeu despertou na tarde daquele dia, Antonie não se mostrou muito sentimental, embora, em seu interior, algo parecia se agitar. As apresentações foram formalmente feitas, e se Bartolomeu se espantou com o relato da vida de Antonie até ali, nada demonstrou. Bartolomeu sentou-se à pequena mesa de madeira velha; O garoto havia lhe servido um prato de comida e uma caneca com água. Estava faminto, não podia negar. Comeu em silêncio, ciente do olhar avaliativo de Antonie sobre si. O prato estava limpo, e a caneca em sua mão era completada com água pela, talvez, quinta vez. Certo, ele já havia passado por isso antes, e sabia que agora era a hora em que vinham as perguntas. Ah, como estava certo.
__Antonie ofereceu uma garrafa de bebida que antes sua mãe escondia, achou que o cavaleiro se sentisse melhor com algo desse tipo. Era verdade, Bartolomeu agradeceu mentalmente aos céus por um pouco de álcool, mesmo que não fosse dos melhores. O garoto acomodou-se na outra ponta da mesa, e iniciou uma torrente de perguntas que pareciam não ter fim. Bartolomeu riu quando o garoto enfim ficou quieto, mas prontamente lhe respondeu todas as suas perguntas na forma de uma breve narrativa.
__Bartolomeu Hawkins tinha até então 42 anos. Os cabelos eram longos e estavam emaranhados de diversas formas, e sua barba não era muito diferente. Não tinha família há muitos anos, e desde que conseguia se lembrar servia a Heitor Maxmilliam. Seu pai havia sido um cavaleiro, e agora ele era um. Não possuía residência permanente, e suas únicas habilidades eram com a espada e a montaria. Havia chegado a tão más condições àquela pequena vila, pois seus companheiros estavam sob ataque após obter importantes informações para Sir Heitor, e com a bagunça acabaram se separando. Sua armadura estava destruída e largada em um velho saco de pano preso a seu cavalo. Bartolomeu não sabia se seus companheiros haviam sobrevivido, e tinha de voltar para sua vila natal, a vila de Sir Heitor, e lhe passar as informações.
__O cavaleiro falou por pouco tempo, resumindo boa parte dos fatos, mas isso não tirou a admiração de Antonie. Naquela noite, Bartolomeu cuidou de seu cavalo, arrumou novas roupas, um pouco de comida e estava pronto para partir no dia seguinte, tão logo o sol nascesse.
__A manhã veio rápida. Mais rápida do que Antonie gostaria. Bartolomeu, por sua vez, não pode dormir. Passou toda a noite andando pelos minúsculos cômodos da pequena casa. Mexeu em armários vazios e baús de roupas rasgadas. Deplorável. Quando estava pronto para partir, pegou as rédeas de seu cavalo e começou a andar em passo lento. Não agradeceu os cuidados e a hospitalidade de Antonie, e nem ao menos se despediu. Que tipo de cavaleiro parte dessa maneira infame? Antonie usava as piores palavras que conhecia, em sua mente, enquanto olhava as costas do cavaleiro que se afastava. Bartolomeu parou neste instante, e Antonie se perguntou se o cavaleiro seria talvez um bruxo que pudesse ouvir o que os outros pensava, mas logo descartou a possibilidade, pois Bartolomeu se virou para ele, e sorrindo lhe disse:
__- Que faz ainda parado aí como uma pedra, jovem Antonie Uckerman? – E diante do silêncio do garoto, continuou. – Vamos. O caminho é longo e Sir Heitor não gosta que seus cavaleiros se atrasem. Podemos treinar com a espada durante a viagem.
__Antonie não conseguia se mover. Sua expressão era de choque mas sua alma dava pulos de emoção. Bartolomeu o estava convidando para se juntar à ele, para ser um cavaleiro. Estava falando sobre treinamento. Seu sonho de ser cavaleiro estava começando, e naquele momento, olhando pela última vez para seu antigo lar, Antonie Uckerman jurou pela memória do irmão, que seria um grande cavaleiro ao qual todos se espelhariam e teriam incríveis memórias.
__Se Antonie conseguiu? Que pergunta tola, forasteiro. Se não houvesse conseguido, não teria sentido eu ter lhe contado todas essas coisas. Mas preste atenção.
__Antonie tinha 14 anos quando deixou a cidadela de Haien e seguiu caminho com Bartolomeu Hawkins. Foi aceito como cavalariço no povoado de Mendry, sob as ordens de Sir Heitor Maxmilliam, e poucos meses depois, após muito treino tarde da noite, Antonie obteve o posto de cavaleiro. Provou seu valor e força em inúmeras batalhas, ganhando a confiança de Sir Heitor. Aos poucos, seu mentor Bartolomeu se tornou seu melhor amigo. Fizera amizades incríveis em povoados diversos por onde passou em suas missões. Ah, como o jovem Uckerman tinha tido aventuras. Boas memórias. Emocionantes. Começava a sentir gosto pela vida novamente. Tudo voltava a ser fácil para ele, e agora com um bônus: era emocionante. Mas novamente as travessuras do tal destino vieram abalar seu precioso mundo.
__A irmã mais nova de Sir Heitor sumira do castelo sem qualquer vestígio. Suas camareiras disseram que ouviram sua senhora dizer que iria procurar por belas flores para um adorno que queria fazer, mas não voltara. Heitor ordenou as buscas imediatas por toda a região. Antonie conhecia a jovem Clarice, e conhecia os infindáveis campos floridos que ela adorava ir. Subiu em seu cavalo e se moveu rápido para o leste. Voltou poucas horas depois, abatido, e trazendo um longo lenço de seda verde nas mãos. Lenço esse que Heitor tristemente reconheceu. Foi nessa mesma noite que um mensageiro chegou aos portões da vila, e a mensagem foi entregue à Sir Heitor:
__ “Valente Senhor que assumiu tal posto com bravura e honradez, teu povo se orgulha de ti, e tua família é bela. Também tive uma família bela, mas teus soldados tiraram meu pai e levaram meu irmão. Meu pai está no céu, e meu irmão em tuas prisões. Livrai meu irmão, que livro tua Clarice. Tens até a próxima lua cheia. Com sincera atenção, Klaus.”
__Um pequeno problema: Resnard, o irmão do ladrão Klaus, fora executado dois dias antes, e a troca não poderia ser feita.
__- Quando é a próxima lua cheia? – Heitor estava desolado.
__- Em 3 dias, meu senhor.
__- 3 dias ou 3 meses, nada trará aquele ladrão Resnard de volta à vida. Por minha irmã, conduzirei os cavaleiros até Klaus no deserto, e a terei de volta à força.
__E assim foi feito.
__Três noites após a chegada da mensagem, Sir Heitor Maxmilliam chegava com seu cavalo aos portões da base militar dos ladrões do deserto, seguido de todos os seus cavaleiros. Usando um cavaleiro encapuzado, disse ser Resnard, e quando questionado sobre os soldados, disse que proteção nunca é demais. Quando Clarice foi trazida à frente dos ladrões, a troca se iniciou, e assim que o falso prisioneiro cruzou com Clarice, ambos correram de volta à Heitor. A farsa descoberta, os ladrões furiosos e Klaus particularmente magoado. Que se inicie a guerra.
__A jovem Clarice foi afastada da região por dois cavaleiros, mas todos os outros, incluindo Heitor, se engajaram na batalha. Horas depois, os ladrões jaziam sobre a areia fina, e Heitor permanecia em pé com menos da metade de seus cavaleiros. Antonie estava ferido, mas permanecia em pé, olhando em volta, lamentando a perda de seus companheiros, até que algo o faria lamentar muito mais.
__Bartolomeu Hawkins, cavaleiro de Sir Heitor Maxmilliam, foi encontrado entre os mortos. Seu rosto era tranqüilo, mas seu coração havia sido perfurado.
__Antonie novamente sentia a dor da perda de alguém realmente importante entre milhares de seres inúteis. O que restava de seus sentimentos, os que Ronnan não havia levado consigo para o fundo daquele abismo, foram perfurados pela mesma lança que tirara a vida de seu mentor. Antonie tinha 15 anos.
__Dois anos se passaram. As feridas do passado haviam cicatrizado mas por algum misterioso motivo ainda produziam dor. Antonie tinha agora 17 anos, e era o mais jovem cavaleiro de todos os tempos do povoado de Mendry. Fiel e leal à Sir Heitor, recebeu em troca uma profunda confiança de seu senhor. Fez sua fama de cavaleiro frio e assassino quando passou a cumprir todas as missões de Sir Heitor sem esboçar qualquer reação que fosse, e eliminando qualquer um em seu caminho. Era impiedoso e um perfeito lutador de espada, ágil, forte e corajoso, mas entre os velhos amigos e companheiros, era leal, respeitável e se deixava levar pela animação que vinha dos outros. Sem duvida havia se tornado o preferido entre as mulheres de Mendry, desde as escravas até as camareiras do castelo. Não havia ficado tão alto quanto gostaria, mas tinha uma boa musculatura nos seus 1,76 de altura. Os cabelos castanhos eram escuros o suficiente para serem confundidos com preto, curtos e sempre bem ajeitados, e seus olhos castanhos tinham, diziam as damas, o brilho que só se vê nas noites de lua cheia, e um olhar tão hipnotizante quanto a própria lua.
__Antonie Uckerman era um belo e admirável cavaleiro, sendo guiado pelas travessuras lamentáveis do, aparentemente, imortal senhor destino.
__~ Continua...~
